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Abrasem promove palestra sobre as boas práticas de manejo nas lavouras de milho Bt em Passo Fundo - 09/07/2013

A Abrasem (Associação Brasileira de Sementes e Mudas) promove no dia 17 de julho, quarta-feira, na cidade de Passo Fundo (RS), a primeira palestra da campanha nacional de conscientização “Manejo Integrado da Tecnologia Bt”. O objetivo é orientar os produtores sobre as boas práticas de manejo de resistência de insetos nas lavouras de milho Bt, o milho geneticamente modificado resistente a pragas, que possibilita a racionalização do uso de defensivos, bem como proteger o potencial de rendimento da lavoura. A palestra, gratuita, acontecerá a partir das 19h no Itatiaia Premium Hotel, localizado na Rua Capitão Eleutério, no centro da cidade, e contará com o apoio da APASSUL (Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul).

No encontro, o consultor José Magid Waquil, PHD em entomologia, falará aos produtores sobre a importância do manejo integrado de resistência para evitar o processo de seleção de insetos-praga resistentes às toxinas produzidas pelas plantas geneticamente modificadas e preservar a eficiência e o potencial da tecnologia Bt, evitando prejuízos à lavoura.

Coordenada pela Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS), a campanha institucional “Manejo Integrado da Tecnologia Bt” é resultado de um grupo de trabalho da Abrasem, do qual fazem parte técnicos das empresas produtoras de sementes.

Além das palestras, que acontecerão ao longo do semestre nas principais cidades produtoras nos Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, a campanha contará com anúncios nos veículos de comunicação especializados no setor e distribuição de material explicativo. Outra importante ferramenta é o site do projeto, que pode ser acessado no endereço www.boaspraticasogm.com.br e que traz todas as informações necessárias para o produtor, incluindo dados técnicos, além de artigos e a programação de palestras.

Sobre o milho Bt e as boas práticas de manejo

O milho Bt é obtido por meio da transformação genética de plantas de milho com genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), fazendo com que a planta produza proteínas tóxicas para algumas espécies de insetos. A tecnologia, criada em 1997 nos Estados Unidos, espalhou-se rapidamente devido a sua eficiência e há pouco mais de cinco anos é utilizada no Brasil, representando atualmente cerca de 80% das sementes de milho comercializadas no país.

Mesmo com a produção contínua das toxinas ao longo do ciclo, as plantas Bt podem não controlar todas as pragas existentes, pois na população destas podem existir indivíduos naturalmente resistentes. Daí a importância do manejo integrado.

Segundo José Américo Pierre Rodrigues, superintendente executivo da Abrasem, investindo simultaneamente no plantio de refúgio (plantio de áreas de milho não Bt adjacentes à plantação de milho Bt) e em outras práticas como a dessecação antecipada seguida de inseticida, controle de plantas daninhas, tratamento de sementes, monitoramento seguido de inseticida e rotação de culturas, o produtor conseguirá garantir a longevidade da tecnologia.

Os pesquisadores consideram que a melhor maneira de evitar o desenvolvimento de populações de insetos resistentes ao milho Bt é combinar lavouras de milho Bt com áreas plantadas com híbridos sem a tecnologia Bt. Dessa forma, os poucos possíveis insetos resistentes que sobreviverem na lavoura Bt irão cruzar com insetos suscetíveis presentes na lavoura de milho não Bt. Algumas possibilidades de "desenho" da lavoura, utilizando refúgio, estão disponíveis no site da campanha.

“A indústria fez a parte dela ao disponibilizar essa tecnologia, que foi um grande achado para a agricultura mundial. Mas é necessário que o produtor adote as práticas corretas de manejo de resistência de insetos para evitar a evolução dessa resistência”, explica o consultor José Magid Waquil.

Cássio Camargo, diretor executivo da APPS, comenta que o produtor de milho brasileiro já possui amplo conhecimento das práticas corretas de manejo, mas ainda não partiu da teoria para a prática. “As medidas necessárias envolvem esforço e investimento, mas é preciso entender que são a única forma de o produtor evitar prejuízos no futuro”, resume.

As boas práticas de manejo de resistência de insetos:

1 - Adoção de áreas de refúgio – O plantio e a manutenção das áreas de refúgio representa o principal componente do plano de Manejo Integrado da Resistência (MIR) das culturas Bt. O objetivo do refúgio é manter uma população de insetos-praga-alvo da tecnologia Bt sem exposição à proteína Bt.

2 - Dessecação antecipada seguida de inseticida – As culturas antecessoras, assim como as plantas daninhas e voluntárias presentes no ambiente, podem hospedar as principais pragas que atacam a cultura do milho na fase inicial, influenciando a espécie predominante e a pressão inicial das pragas. Assim, no sistema de plantio direto, a pressão de pragas na fase inicial da cultura pode ser maior quando comparada ao sistema de plantio convencional.

3 - Controle de plantas daninhas – Algumas plantas daninhas podem hospedar insetos-praga das culturas subsequentes, permitindo que uma quantidade significativa sobreviva nas áreas de cultivo no período da entressafra. Além disso, ervas daninhas podem ser fontes de lagartas em ínstares mais avançados, as quais apresentam maior dificuldade de controle pela tecnologia Bt.

4 - Tratamento de sementes – O Tratamento de Sementes (TS) é uma prática que visa o controle de pragas subterrâneas e iniciais da cultura, período de grande suscetibilidade às pragas. Os danos causados por essas pragas resultam em falhas na lavoura devido ao ataque às sementes após a semeadura, danos às raízes após a germinação e à parte aérea das plantas recém-emergidas.

5 - Monitoramento seguido de inseticida – O monitoramento é fundamental. A partir dele, toma-se a decisão de realizar ou não uma aplicação complementar de inseticida na lavoura.

6 - Rotação de culturas – A rotação de culturas consiste em alternar o plantio de diferentes espécies de culturas na mesma área agrícola. Com ela, o produtor melhora as propriedades físico-químicas do solo e reduz a população inicial de alguns insetos-praga da cultura.

Serviço
Palestra sobre “Manejo Integrado da Tecnologia Bt”, com o consultor José Magid Waquil, PHD em entomologia
Quando: dia 17 de julho, quarta-feira, às 19h
Onde: Itatiaia Premium Hotel, em Passo Fundo (RS)
Endereço: Rua Capitão Eleutério, 168, Centro
Apoio local: APASSUL (Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul)
Entrada gratuita

Fonte: Abrasem

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