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Arrozeiros gaúchos comemoram a terceira safra consecutiva com bons resultados - 24/02/2014

Pelo terceiro ano consecutivo, a cadeia orizícola gaúcha tem motivos para comemorar. A abertura oficial da colheita do arroz, sábado (22/02), em Mostardas, demonstrou que otimismo e política pública não faltam. Além da expectativa de colheita de 8,5 milhões de toneladas nesta safra, a balança comercial – cálculo entre exportação e importação - de 2011 até agora tem sido positiva. Ela não se mantinha nessa condição desde a safra 2008/2009.

O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, elenca alguns fatores que levaram a essa condição favorável. O primeiro deles, e mais emergencial, foi a ajuda do governo Federal em 2011. Para equalizar a crise daquela safra, produzida pela super oferta e pouca demanda – produção de quase 9 milhões de toneladas -, a União enviou ao Estado R$ 1,2 bilhão para escoamento. Em seguida, em função do endividamento dos produtores, houve aporte federal de mais de R$ 1,5 bilhão para renegociação das dívidas.

Crédito presumido do Estado valorizou produto

Sem competitividade e ainda com resquícios da crise, o arroz gaúcho carecia de medida mais enérgica. Mainardi sustenta que o governo do Estado, ao conceder crédito presumido de 7% de ICMS – antes era 3,5% - à indústria que beneficia no mínimo 90% do produto do Estado o deixou mais competitivo no mercado interno brasileiro.

Mainardi pontuou que o País vive momento histórico de crescimento em que a agricultura tem parcela significativa. A modernidade, segundo ele, está chegando às propriedades, em especial às pequenas. Nunca o crétido foi tão abundante, informou. De R$16 bilhões há doze anos saltou para mais de R$ 160 bilhões para financiar os agricultores brasileiros, compra de máquinas e implementos.

No arroz, segundo o secretário, a ação articulada do governo do Estado com os setores produtivos e suas representações proporcionou a estabilidade ao setor. “Produzimos de acordo com a necessidade do mercado, mantendo equilíbrio entre oferta e procura, o que impede o aviltamento dos preços, situação que prejudicava especialmente os pequenos e médios”, explicou Mainardi.

Além disso, houve aumento de produção e a concorrência com o Mercosul obrigou a busca de novos mercados.

Apoio à exportação e busca de novos mercados

Para o presidente do Instituto Riograndense do Arroz, Cláudio Pereira (Batata), uma medida de incentivo à exportação foi a criação do projeto setorial de internacionalização do arroz, “Brazilian Rice”, parceria da ApexBrasil e Abiarroz com apoio do Irga.

As 29 empresas participantes já passaram por 12 cursos de capacitação. Segundo Pereira, até março deste ano deverão entregues estudos de mercado dos noves países escolhidos como mercado-alvo.

Desde 2012 missões do governo do Estado e do projeto já marcaram presença em países como França, Nigéria, Cuba, Alemanha, África do Sul, Angola e Dubai. Ainda este ano estão previstas ações para o período de Carnaval, Copa do Mundo, convenção do arroz na Costa Rica, dentre outros.

Outro aspecto positivo à cadeia foram os leilões de estoques públicos. No ano comercial 2013/2014, das 552 mil toneladas disponíveis, 464 mil foram comercializadas, atingindo preço médio de R$ 34,00 a saca. O setor aprovou a estratégia dos leilões. Ajudou a evitar aumento de preços, abasteceu a indústria às exportações e proporcionou o escoamento dos estoques.

Reestruturação do Irga

Pereira destaca que a reestruturação do Irga contribuiu no suporte à pesquisa e de respostas ao setor. Depois de 40 anos, foi feito concurso público. Também aprovaram plano de cargos e salários, valorizando o servidor público.

O instituto adquiriu caminhões, tratores, implementos e equipamentos de laboratório para modernizar a pesquisa e extensão rural. Além disso, busca recursos para a construção do Centro de Difusão de Tecnologias Orizícolas do Irga.

A retomada da pesquisa possibilitou a criação de três novas variedades de arroz e uma de soja, a primeira desenvolvida para plantio na várzea (TEC-Irga6070). A viabilidade econômica na propriedade tem sido uma das marcas defendidas pela Secretaria da Agricultura.

Com esse viés, tem apoiado a rotação de culturas e a integração da lavoura com a pecuária. A intenção é aumentar a renda e servir como uma espécie de seguro ao produtor que não precisa depender de apenas uma atividade.

Colheita

A lavoura oficial da 24ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz foi colhida em uma área de 0,8 hectare semeada com a cultivar Irga 424, uma das mais produtivas geradas pelo programa de melhoramento genético do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e que proporciona alto rendimento de grãos inteiros, característica da região arrozeira de Mostardas (RS), palco do evento.

Até o momento no RS foram colhidos 7% do total de 1.114.897 hectares de arroz, a região mais adiantada é a Fronteira Oeste que já colheu 20% da área de 333.680 hectares, o município de Mostardas nesta safra semeou uma área de 40.279 hectares e registra em torno de 10% da área colhida.

Fonte: Irga

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